Resposta fisiológica ao treino intervalado de alta intensidade — High intensity interval training (HIIT)

Wellington Martins dos Santos
4 min readJul 13, 2020

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Nosso corpo é dividido em vários sistemas. Quando se fala em exercício físico e treinamento os principais por trás da performance são sistema aeróbio, glicolítico e neuromuscular. A integração entre eles acontece quando se pensa em metodologias como o treino intervalado de alta intesidade — do inglês High-intensity interval training — para assim garantir a performance para dada tarefa. Método que consiste em sustentar o esforço próximo do máximo >90% do consumo máximo de oxigênio (VO2max) por vários minutos.

O sistema aeróbio é composto tanto pelo coração, pulmões e músculos. Quando se fala em sistema anaeróbio, pensamos apenas no músculo e capacidade do corpo lidar com a sobra dos resídios metabólicos— No caso do H+ proveniente da quebra da energia que nosso corpo usa para contração muscular o ATP e consequente a fadiga. E finalmente o sistema neuromuscular, que compreende tanto o sistema nervoso central e os músculos.

O músculo está inserido em todos os sistemas, sendo o mesmo composto de diferentes fibras (I, IIa, IIx) que são solicitadas de acordo com a intensidade do exercício ou velocidade . Como já sabemos, fibras do tipo I são mais resistentes à fadiga sendo capaz de produzir um menor nível de força. Já às fibras do tipo IIx são mais fortes porém, não sustentam possuem um resistência à fadiga. Finalmente, fibras do tipo IIa são intermediárias, produzem um nível de força intermediário como também possuem resistência à fadiga intermediária. Segue à baixo uma forma diferente de organizar isso na mente.

Nível de força: I < IIa < IIx

Tempo de exercício: I > IIa > IIx

Quanto maior for o nível de força mais o sistema neuromuscular vai ser solicitado. Quando menor for o nível de força e maior duração, mais o sistema aeróbio será solicitado. E finalmente, quando o nível de força e duração é intermediário o sistema glicolítico será solicitado.

Adaptações do sistema aeróbio:

Coração: O fator determinante para a melhora do VO2max é a capacidade de ejetar sangue do coração. Ela pode ser melhorada devido ao aumento da força de contração dos ventrículos, ou a pressão de enchimento do ventrículo devido ao ótimo retorno venoso ou aumento de hemácias ou plasma — parte líquida do sangue.

Músculo (Fibras do tipo I e IIa): A distribuição de nutrientes como carboidratos, gordura e O2 através de uma maior vascularização — processo denominado angiogênese — permite uma eficiência metabólica e produção de energia pelas mitocôndrias. Além disso, a grande quantidade de liberação de Ca++ pela por contrações vigorasas no HIIT ativam algumas proteínas como CaMKII e AMPK, que irão aumentar a expressão de genes como a PGC-1alfa, responsável pela síntese de mitocôndrias, utilização de gordura, produção de transportadores de glicose (GLUT4) e quantidade de glicogênio muscular. Além disso, a produção de novas mitocôndrias e maior utilização da via aeróbia e a gordura ao invés de carboidratos permite reduz o nível de fadiga prolongando o exercício.

Pulmões: A capacidade captação de ar pelos pulmões não limita à distribuição de O2 no sangue em indivíduos saudáveis.

Adaptações do sistema glicolítico:

Músculo (Fibras do tipo I, IIa): Apesar de uma extensão de adaptação menor do que as que ocorrem no sistema aeróbio, a atividade de proteínas responsáveis pela produção de energia anaeróbia na qual tem o lactato como “resto” é melhorada . Este tipo de adaptação permite postergar a fadiga. Melhoras no sistema glicolítico está associada também à melhora no sistema neuromuscular que será abordado logo abaixo.

Adaptações do sistema neuromuscular:

Este tipo de adaptação tem duas finalidades, melhorar a locomoção do indivíduo ou a resistência à fadiga. Já se sabe que o treino de força promove adaptações no músculo em si e também no Sistema Nervoso Central (SNC), principalmente no que permeia: a quantidade de impulso nervoso que o músculo recebe por conta de uma maior frequência de disparo dos neurônios que saem do SNC, aumento na excitabilidade dos mesmos, redução de rotas que inibem tais disparos como neurônios a nível da medula espinhal. Além da diminuição do risco de lesões.

Foto do livro de Lauren 2018 ilustrando às possíveis adaptações causadas pelo HIIT.

De acordo com o que foi apresentado anteriormente, o treino intervalodo permite a integração de vários sistemas, e dependendo da intensidade que ele é programado um sistema e mais enfatizado. Portanto, os profissionais de Educação Física devem entender a relação da intensidade com à resposta fisiológica desejada para assim guiar seus programas de treinamento e elevar a performance de praticantes e atletas.

Referências:

Aagard 2003 — Training induced changes in neural function.

Lauren 2018 — Science and application of high-intensity interval training: solutions to the programming

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Written by Wellington Martins dos Santos

Sports Scientist, Physical Trainer so far but I still wanna be a Fitness Funcional Athlete and programmer — 27 years old

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